Informações Clínicas para o Público

Incontinência Urinária Masculina

A perda involuntária de urina nos doentes do sexo masculino pode ocorrer na sequência de esforço físico, tosse ou espirro – incontinência urinária de esforço - ou pode estar associada a episódios de urgência miccional (vontade súbita de urinar) – incontinência urinária de urgência. Nalguns casos, ambos os mecanismos podem contribuir para as perdas de urina, sendo essencial uma abordagem cuidada e individualizada do doente para esclarecimento das causas de incontinência, com vista a um tratamento adequado.

A incontinência urinária de esforço nos homens surge mais frequentemente após procedimentos destinados ao tratamento do cancro da próstata (principalmente prostatectomia radical, mas também radioterapia externa). Neste tipo de tratamentos, o esfíncter urinário, estrutura muscular que em condições normais garante que não existem perdas de urina, pode ser lesado. Ainda assim, deve-se destacar que o facto de o doente ter sido submetido a uma cirurgia da próstata não implica obrigatoriamente que o doente tenha uma incontinência urinária de esforço. Os doentes submetidos previamente a cirurgia apresentam uma alteração da sua anatomia normal que os colocam em maior risco de alterações da função da bexiga, podendo também apresentar incontinência de urgência ou ambos os tipos.

É, por isso, essencial que o doente do sexo masculino com incontinência urinária seja correctamente estudado clinicamente e com recurso a exames complementares de diagnóstico, entre os quais o Estudo Urodinâmico, que desempenha um papel fundamental nestes casos.

Enquanto a incontinência urinária de urgência pode ser tratada com recurso a medicação (como na Bexiga Hiperativa), a incontinência urinária de esforço no homem requer geralmente tratamento cirúrgico.

Em casos de incontinência urinária ligeira a moderada, a injeção de bulking agents na uretra (substância injetada por baixo do revestimento da uretra, em toda a circunferência desta, de forma a criar um anel semelhante ao esfíncter urinário) pode ser uma opção ainda que o efeito terapêutico seja temporário.
Uma outra opção para incontinência urinária de esforço ligeira a moderada poderá ser a colocação de uma fita sintética por baixo da uretra através de um procedimento minimamente invasivo; esta fita provoca uma compressão moderada da uretra, contribuindo para a continência.
O terceiro procedimento cirúrgico é a colocação de um esfíncter urinário artificial. Este consiste essencialmente numa braçadeira colocada em redor da uretra e que pode ser aberta pelo próprio doente quando deseja urinar, através de um botão que fica debaixo da pele, junto aos testículos (nenhum dos componentes do dispositivo é externo ou visível). O esfíncter urinário artificial permite o tratamento de incontinência urinária moderada a grave, sendo uma excelente opção também em casos complexos ou após falência de outros tratamentos prévios.

Ricardo Pereira e Silva